31/07/2015

RESENHA: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Dias Perfeitos

Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 280
Edição: 1
Ano: 2014
Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável.
 É um livro desconcertante!

Téo é um estudante de medicina que tem uma mãe cadeirante e que finge amá-la e parecer ser um bom filho, fazendo coisas que ele acha que um bom filho faz, porque não nutre nada (nem um tico de amor por ela). Certo dia ele vai a um churrasco com a mãe e encontra/conhece a Clarice, uma jovem da classe média alta, estudante de história da arte, mas que sonha em ser roteirista. E inclusive já escreve um roteiro, denominado Dias Perfeitos. E é a partir daí, que começa a obsessão do Téo. 

No dia seguinte ele já mostra indícios dessa sua obsessão, chegando ao ponto de achar que já ama a Clarice, após conseguir o número do telefona dela, começa a persegui-la. Descobre onde estuda, quando estuda, até onde fica a casa dela e começa a ir atrás dela. Até que um dia ela está bêbada e sozinha na rua, ele ajuda e a leva em casa. Após esse ocorrido ele vai novamente à casa dela, quando a encontra de malas prontas para viajar. Ela inicialmente fala que não quer nada com ele, que podem ser amigos. Mas ele não quer, então ela passa a ser rude e diz que não quer nada com ele, este por sua vez a agride deixando-a inconsciente. Resolvi viajar com ela, colocando-a numa mala gigantesca (sim ele faz isso, e faz achando isso tudo normal) e a leva para casa. 

O Téo faz de um tudo, agride, briga, amordaça, algema a Clarice, mas ele faz tudo de forma pensada e colocando justificativa que pra ele são lógicas, que fazem tudo pra ele coisas banais. Normais. Na sinopse do livro diz o seguinte "Téo fala com calma, planeja os atos com friezas e justifica as suas atitudes com uma lógica impecável" e de fato isso acontece, Téo é este cara. 

Certos momentos eu ficava perplexa com a capacidade do Téo, eis que dei uma pesquisada sobre Psicopata/Psicopatia, e encontrei o que ele era. E encontro um trecho da definição, que compartilharei com vocês, diz "comportamentos violentos e manipulatórios", eis ai mais uma descrição do Téo. E ele de fato é muito manipulador, com tudo, com acontecimentos, mas principalmente com as pessoas... ele tem uma lábia, uma forma lógica de explicar (mesmo que não seja verdade), que você leitor mesmo sabendo como é o desenrolar da trama, fica surpreso seja pela forma que ele coloca as coisas ou pela capacidade do mesmo. O livro é cheio de reviravoltas, cheia de surpresas, que nos deixa chocados. Perplexos. Principalmente no final do livro, nunca na minha vida imaginei um final assim. :O

Sobre a Clarice, que falei pouco sobre, ela aguenta muito. Tenta de todas as formas reverter o que estava acontecendo com ela, mas Téo sempre foi muito ardiloso, fez todo mundo pensar que ela estava bem. E ninguém nunca se preocupou o bastante pra ir atrás dela, pensem só?! :x

Porém, contudo, todavia... o livro poderia ter sido mais. Talvez eu tenha ido com muita cede ao pote ou talvez algumas partes/coisas poderiam ter ocorrido melhor, que angustiasse mais o leitor, que nos fizesse pensar que estávamos vivendo aquela história. Mas isso não ocorreu, acho que minha maior frustração foi essa. 

Comentário final: Poderia ter sido mais, mas de qualquer forma vale a pena. Leiam!



 


1 comentários

  1. Pra falar a verdade a resenha em sim não me despertou interesse, parece uma historia bem água com açucar e bem provável. Mas os comentários num geral vem aumentando meu conceito em ler. Tu comentou que "poderia ter sido mais" e é ai que mora o perigo em criar expectativas de uma obra. Mas valeu ne?

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