28/08/2015

RESENHA: Proibido - Tabitha Suzuma

Proibido

Autor(a): Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Páginas: 304
Edição: 1
Ano: 2014
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.
Livro arrebatador, vai mexer com você!

Lochan tem 17 anos e Maya, 16. Eles são irmãos, e assumem TODAS as responsabilidades de casa, dentre elas fazer compras, pagar dividas, cuidar dos irmãos mais novos (que são três, Tiffin, Kit e Willa), educá-los, criá-los, amá-los. Eles tem uma mãe, que é mesmo que nada, não ajuda, não cuida, não ama... que pessoa odiosa, ela é uma alcoólatra que deixa os filhos de lado e trata eles como se fossem um fardo (ai me pergunto: sabe sair distribuindo, mas não sabe usar uma camisinha? avá, revolts) e o pai deles? abandonou eles. Ou seja, os cinco irmãos só tinham eles mesmos. 

O Lochan é o que mais se cobra, que mais assume responsabilidade, por ser o mais velho. A Maya, age como se fosse o porto seguro dele, sabe?! A relação entre os dois nunca foi de irmãos, a cumplicidade e o amor, era tanto que deixou de ser fraterno. Ou na verdade, nunca foi. E um dia, eles percebem isso... mas mesmo assim há muito receio. Convenhamos, incesto é incesto e eles sabem disso. Mas e o amor?
“Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?”
Eu pensava que sabia exatamente o que esperar desse livro, fui com um pouco de cede ao pote pra saber se o livro era tão bom quanto falavam. E cá estou eu, escrevendo essa resenha, com os olhos cheios d'água e com dor de cabeça por ter chorado e MUITO com o final do livro. Esperei muito dele, mas ele foi bem mais que o esperado. 

O livro é narrado em primeira pessoa pelo Lochan e pela Maya, com capítulos alternados entre eles. Assim conseguimos sabem o que cada um deles acha, pensa e age. E é impossível não torcer por eles dois... sempre achei que fosse errado, mas e se esse errado for o certo? será que temos o direito de interferir na vida das pessoas assim? excluindo-as e julgando-as? Tem uma canção que diz "É que o amor é soberano", ninguém sabe a dor e o amor que cada um carrega, será que temos o direito de nos intrometer? É um livro profundo, que nos faz refletir, indagar e até se revoltar. Eu continuo achando errado, eu não me vejo nessa situação nunca, entretanto quem sou eu pra falar alguma coisa? Caramba, é um sentimento. E sentimento, não muda da água pro vinho, não faz desparecer no estalar de dedos, quando verdadeiro, só cresce. Isso é errado? O livro é vivenciado no Reino Unido e lá é proibido de todas as formas, seja consensual ou não. Aqui no Brasil, dei uma pesquisada e não é considerado crime. E em relação ao livro e tudo que vivenciei nele, acho-a mais justa. São duas pessoas que sabem o que querem, porque uma lei que não os conhece pode ter o direito de dizer se é certo ou não? É tudo tão complexo e cheio de indagações né? Faz parte. rs 

Sobre os personagens: Vou começar falando da mãe, só pra dizer que eu a odeio. E o pai deles também, não tanto quanto a mãe. Dito isso, vamos aos protagonistas?
Lochan ele é bem tímido, fica nervoso em público, não se sente à vontade, só em casa - em família - ele consegue ser ele mesmo.
Maya ela é bem mais sociável, mas ela também se sente mais a vontade em casa. Perto dos irmãos, perto do Lochan.
Os irmãos: Tiffin tem 8 anos e inicialmente é um menino doce, mas ele vai percebendo aos poucos a víbora que é a mãe. Mas mesmo assim não perde a doçura.
Willa é a mais novinha, tem 5 anos é a mais doce de todos, ela é meiga, fofa, incrível... Tem um quote, de algo que o Lochan fala que acabou comigo:
“Aos cinco anos ela já aceitou uma das mais duras lições da vida: que o mundo não é justo...”
Porque ele fala isso? bom, a mãe mal dá dinheiro e Maya e ele são estudantes, não tem condições de ajudar mais. Ou seja, eles vivem na pindaíba... é dura a vida deles e me doeu ver que a criança pura e ingênua lidando com isso. E infelizmente isso não é só na ficção, faz parte da realidade. 
Por fim, vamos ao Kit, 13 anos: Ele é bem revoltado, se junta com a gangue da escola, fuma maconha escondido, vive em pé de briga com o Lochan... mas no fundo é só um menino. Demora-se pra ver isso, mas quando a gente percebe é doloroso. 

Sobre a capa/diagramação: Gente, a capa é linda... eu gostei muito dela. E a diagramação interna está bonita também, com todos os detalhes e tudo mais. Sobre erros, achei um de digitação. Nada demais. 

Comentário final: Após o término da leitura desse livro eu já quero ler outros livros da autora, ela consegue prender muito o leitor. O livro nos faz (re)pensar, nos emociona, nos choca, mas acima de tudo, ele nos cativa. E é por isso que indico que leiam esse livro, porque vale muito a pena.

QUOTES: 
“Sei tudo e mais alguma coisa sobre ter vergonha de um parente – o número de vezes que desejei que a minha mãe agisse como uma mulher adulto em público, já que não fazia isso em particular. É horrível sentir vergonha de alguém que você ama; é uma coisa que te rói por dentro. E, se você deixar que te afete, se desistir da luta e se entregar, a vergonha acaba por se transformar em ódio.”
“– Eu gostaria que as coisas fossem diferentes. – Ele respira fundo. – Gostaria que não fosse tão difícil.
– Eu sei – digo em voz baixa.
– Eu também.”
“Vou ficar com ela pelo tempo que ela quiser. Até me caso com ela, se for o que ela tem em mente. Afinal, que diferença faz com quem vou me casar, se não pode ser com você?”


5 comentários

  1. Oi tudo bom?
    Ai eu tenho medo de ler esse livro, acho que bem pelo caso dele ser bem triste. Livros tristes me deixam de ressaca kkk

    Beijos

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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    1. É triste, revoltante, mas bastante reflexivo. Vale a pena, deixa de lado esse medo, rapaz! kkk
      Beijos

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  2. Estava louca esperando sua resenha, Kamilla! Queria saber sua opinião pra se mudava de ideia sobre a leitura, que eu achava que não iria gostar. Ainda fico com um pé atrás pois acabei de sair de leituras bem intensas e que tratam de assuntos polêmicos, mas ainda assim AMEI DEMAIS sua resenha e tudo o que falou sobre o livro, bom saber que te cativou tanto e chegou a superar tuas expectativas. Adoro leituras tristes assim, e como ele te fez chorar é provável que me faça tbm, porque sou dessas, kkk.

    Beeijos <3
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  3. Já vi muitos comentários positivos sobre este livro, e estou super curiosa para ler, depois de ler essa resenha ótima sobre ele, eu preciso urgentemente comprar e ler haha.
    Adorei demais sua resenha e acho que esse livro faz refletir e acho que me emocionarei com a história.

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  4. Quando descobri o livro fiquei tão curiosa para saber o final que pulei para as ultimas paginas... não deveria ter feito isso. Sem querer da spoiler para quem ainda não leu mas eu achei o final triste, fiquei pensando nele por dias, nem terminei todo o livro. Pelo o que eu li (o finalzinho só) ele parece ser um livro bom mas nem todos vão gostar.
    Beijos

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