24/03/2017

RESENHA: A vida secreta das abelhas - Sue Monk Kidd

A vida secreta das abelhas
Autora: Sue Monk Kidd
Editora: Paralela
Páginas: 256
Edição: 1
Ano: 2014
A adolescência de Lily Owens tem sido complicada. Ela não se lembra da morte da mãe, há mais de dez anos, e sua relação com o pai é mais que difícil. Em 1964, quando completa catorze anos, ela decide fugir junto com sua babá Rosaleen. Lily sai a caminho de Tiburon, a cidade que parece esconder alguma resposta sobre a vida de sua mãe. Chegando lá, ela e Rosaleen são acolhidas por três irmãs. Aos poucos, Lily descobre um mundo mágico de abelhas, mel e da Madona Negra. Com a ajuda das irmãs Boatwright —August, May e June —, Lily tenta desvendar sua história. Será que ela conseguirá enfrentar os demônios de seu passado e se tornar uma jovem independente?

Eu estava esperando muito por esse livro, porque amei o filme. Será que curti?

A vida secreta das abelhas é narrado em primeira pessoa pela Lily Owens, uma adolescente de 14 anos que vive com a culpa pela morte de sua mãe. O pai, T-Ray - como o chama -, a tratava como um lixo, como se ela fosse um estorvo. Por qualquer motivo a castigava, mandando ela ajoelhar no milho por exemplo. Porém Lily tinha alguém com quem contar, Rosaleen, uma mulher negra que arrumava e cuidava de sua casa. Vocês devem estar se perguntando porque é relevante dizer que a Rosaleen era negra, lhes explico: A história passa em 1964, que enquanto no Brasil ocorria o golpe militar, nos Estados Unidos a luta era outra. Nesse ano foi adotado a lei dos direitos civis, onde visava que todos os americanos tivessem diretos iguais, incluindo o voto. Os negros eram taxados como inferiores, seres de raça, que não podiam votar e nem ir em lugares que brancos frequentassem, como cinemas, igrejas e etc.
“Assim eram as coisas.A perda penetra em tudo mais cedo ou mais tarde, e vai corroendo o que encontra.”
O começo da história a Lily nos conta que sempre escuta o zumbido de abelhas, chegou até a visualizar elas em sua volta, mas quando corre pra contar ao pai, elas desaparecem. E ele não acredita nela, obviamente e ainda diz que se fizer isso de novo vai castigá-la. No dia seguinte ela tenta pegar as abelhas, pra mostrar ao pai. E a Rosaleen a questiona, eis que elas assistem o anúncio sobre a lei dos direitos civis. Rosaleen toma uma decisão, vai se inscrever pra votar... Lily insiste que quer ir junto. No caminho uns homens perguntam onde a negra vai. E quando escutam que ela vai se inscrever pra votar, vão pra cima dela. Humilham, batem e ainda mandam-na presa.

Após isso nossa protagonista volta pra casa com o T-Ray e após toda a humilhação que Lily sempre passa, ele diz que a mãe a deixou, isso foi o estopim para a nossa protagonista. Ela foge... Vai para a delegacia buscar Rosaleen, mas ela está no hospital depois do espancamento. E Lily vai lá e consegue fugir com a sua amiga.

Ela já tem um lugar em mente, seguem esse destino e chegam na casa das irmãs Boatwright - August, June e May. Eu já falei demais, não soltei nenhum spoiler, mas é bom conhecer a história aos poucos. Essas irmãs ajudam sem nem questionar, sem preconceitos e julgamentos. As irmãs Boatwright são negras e trabalham vendendo mel, August - a mais velha das irmãs - é que comanda a venda do mel e chama a Lily pra aprender mais sobre as abelhas e obviamente, sobre o mel. É encantador a relação que a Lily cria com elas, como amadurece também.
“Nós não podemos pensar em mudar a cor da nossa pele. É preciso mudar o mundo, é assim que devemos pensar.”
Em alguns momentos a Lily, que cresceu em um mundo totalmente preconceituoso e racista, começa a perceber que a cor é de menos. Na casa de August ela conhece o Zach, um garoto negro que ela fica amiga e logo se apaixonam. Mas não podem ficar juntos, por causa da cor. Dá pra acreditar? Essa é mais um exemplo de quão preconceituosa era a época.

A verdade secreta das abelhas trás inúmeras reflexões, o maior foco é na Lily, mas aborda vários outros temas como o preconceito racial, doenças psicológicas, perdão, poder feminino, fé, amor e que pra ser considerado família só precisa-se de respeito, compreensão e afeto. Pra mim a questão de racismo foi muito doloroso de acompanhar, sei que infelizmente é algo que de vez em quando a gente vê, mas dói ver que pessoas são diminuídas e menosprezadas por causa da cor, que não faz diferença nenhuma.
“Na verdade, você pode não ser boa em uma coisa, Lily, mas se gostar de fazê-la, é o que basta.”
Li em algum lugar dizendo que este livro era fofo, não é... é intenso, vai te fazer chorar, mas mais que isso vai te fazer refletir sobre inúmeros temas. Sabem porquê? os personagens são humanos, erram e fraquejam como qualquer outro, como nós leitores. Mas não me fisgou como achei que faria, eu conseguia visualizar todas as cenas muito crivelmente, contudo a história não foi como eu esperava ou como eu imaginava, não sei explicar muito bem. Só sei que não foi tão incrível quanto eu esperava, apesar do livro ter uma história ótima, com personagens bem construídos e ter me feito chorado em muitas cenas, ele me cativou.
“O perigo, percebi, era uma coisa à qual a gente se acostuma.”
As narrativas/conversações entre os personagens são distinguidas por aspas (") e isso pode incomodar alguém, no meu caso não foi tão incômodo, mas preferia que fosse de forma convencional, que estou mais acostumada. A capa é maravilhosa, tem muito a ver com o livro... não encontrei erros.


Comentário final: Como vocês puderam ler não foi tão incrível como achei que seria, mas é maravilhoso de qualquer forma. Sem dúvidas vai cativar quem ler!

PS: Como vocês bem sabem esse livro já tem adaptação para o cinema, cuja protagonista é estrela por Dakota Fenning, Augst é representada Queen Latifah e June é a Alicia Keyes. O elenco é sensacional, assistam e leiam. 


21 comentários

  1. Oi, Kamilla!
    Não conhecia o livro e nem sabia dessa adaptação.
    Adorei a premissa da história. Ele tem cara de ser um livro que vai te marcar pro resto da vida.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Literário de Carnaval
    Sorteio Três Anos de Historiar

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  2. Oi Kamilla, eu já tinha ouvido falar do filme, mas não do livro e se já achei a resenha emocionante, imagina lendo, sou manteiga derretida em alguns momentos kkkk. Lendo a resenha e a sinopse, eu não descreveria o livro como fofo também e sim intenso, o debate sobre o racismo é sempre importante, pois apesar de estar mais "evoluídos" nesse assunto, ainda são muitos os casos de descriminação. Mesmo que a história não tenha te fisgado, gostei muito da resenha e apesar de não ser um livro que leria agora, eu tenho uma cota de drama pra ler, pois meu coração é fraco kkkkk... anotei a dica pro futuro :)

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    1. Não sei o que passou na cabeça da pessoa em dizer que era um livro fofo, porque definitivamente não é.
      Um drama muito bom, com muito amadurecimento. :)
      Vale a pena.
      Beijos

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  3. Kamilla que historia!!!!!
    Uma pena não ter te fisgado muito, mas essas historias que envolve muito a cor da pele mexe com muita gente, nossa eu fique lendo a sua resenha e quando li que a protagonista não podia nem namorar o garoto eu pensei nossa que tristeza como as pessoas dessa época sofriam, se eu pego um livro desse eu vou me emocionar sem duvida, como você disse e gostei dessa parte quando os personagens erram porque são humanos como nós leitores é uma total verdade, muito interessante saber da adaptação Dakota Fenning é incrível e sempre gosto dos filmes em que ela participa.
    Abraços!!!

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    1. Sofriam muito mesmo, Mari. Foi muito dolorido acompanhar isso, porque são coisas tão simplórias que faziam tempestade em copo d'água por causa da cor.
      A adaptação é muito fiel!
      Beijos

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  4. Acho que já ouvi por aí mas, não tinha parado de fato para saber mais sobre. Lendo a resenha, me interessei bastante pela história. Descrever como fofo não é o correto, é uma história muito intensa, colocando diversas questões em discussão. No momento não seria a leitura ideal para minha pessoa mas, a dica está devidamente anotada.

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    1. Quado tiver oportunidade leia, Carol.
      Vale muito a pena.
      Beijos

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  5. Oi Kamilla,
    Que sinopse diferente deste livro e o título chama bastante atenção. Lily vai aprender que a humanidade não é perfeita, ela vai sentir na pele o que é dor das mãos de alguém que deveria lhe defender e dar amor e vai descobrir o que é ajudar ao próximo, demonstrar compaixão de pessoas que ela não conhece. Com certeza é uma história de reflexão e autoconhecimento.

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  6. Não sabia que tinha uma adaptação, com certeza vou procurar para poder assistir. Esse livro parece bem cativante, nos faz ter uma visão do quanto o preconceito é uma coisa terrível.

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  7. Nossa, que doido. Minha irmã falou pra eu ver esse filme esses dias e agora dou de cara com a história aqui. Ela elogiou bastante, então achei interessante ver mais sobre essa história dele.
    Parece um livro intenso e bonito, cheio de reflexões legais e muita coisa para pensar. Gostei desses temas dele, é bem diversificado e parece muito bom.
    A questão do racismo também costuma me deixar com o coração apertado. É ridículo como menosprezam as pessoas por algo tão sem sentido. Deve ser interessante ver isso sendo abordado na história.
    E pode não ter sido tão bom como você esperava, mas acho que se lesse iria gostar bastante. Parece bem o tipo de livro que adoro.

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  8. Não sabia da adaptação vou querer assistir. Já tinha visto o livro, mas não lembro de ter lido resenha, fiquei bem triste e chocada como o preconceito no livro, deve ser muito tenso e emocionante a historia além de revoltante. Vou querer ler.

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  9. Kamilla!
    Não li o livro ainda, mas um livro que mostra tão claramente o preconceito de cor, não tem nada de fofo mesmo, chega a ser doloroso.
    Já assisti o filme e pelo jeito é bem fiel ao livro e vale a pena assistir.
    Quero ler sim o livro.
    Desejo uma semana abençoada!
    “A simplicidade é o último degrau da sabedoria.” (Khalil Gibran)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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  10. Não é nada fácil ler uma livro quando a personagem passa por tanta coisa. Me dar um aperto no coração. Lily é jovem, praticamente uma criança e já passou por tanta coisa, e pai não ajuda nenhum pouco ela superar a morte da mãe. Mas interessante é as mudança na vida dela, conhece as três irmãs, conhece Zach. Aos poucos ela vai descobrindo o mundo, lidando com frustração dele. Enfim, adorei livro, justamente pela reflexão que ele trás para vida da gente após ler. Uma historia encantadora

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  11. Uau que historia. Parece ser muito incrível e chocante. Já assisti vários filmes que tem no enrredo a cor de pele negra na época, mas nunca li nada. Parece ser um livro que ao terminar refletimos muito, e isso já me chama a atenção. Já coloquei na minha lista de leitura, fiquei muito curiosa com a historia da Lily e como ela vai agir com tudo. Valeu pela dica de leitura.

    Vistem meu blog!
    garotaeraumavez.blogspot.com.br
    Obrigada!

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  12. Esse livro parece ser muito bom, admito que não gosto muito de ler livros sobre racismo, começo a me sentir mal e fico um pouco pesada, não vou dizer que prefiro esquecer os erros do passado porque acho que eles são importantes para sabermos o que podemos evitar no futuro, esse livro parece ter uma história realmente ótima, só sinto muito que não tenha sido tão incrível quanto esperava.
    Beijos!

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  13. Gente do céu, preciso ler esse book, eu não gosto de books que se passam em tempos antigos, mas esse me chamou muita atenção. A questão do racismo e de mesmo vivendo nessa época "nojenta" a menina ainda parentar ter um bom coracao, o que é lindo! Quero muito ler, de verdade, gostei da capa, do resumo, da resenha (mesmo não tendo sido da forma que você desejava), me interessou demais e já esta na minha lista de desejados.

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  14. Nossa, não fazia ideia de que essa era a história do livro/filme. Na verdade eu acho que nunca tinha parado pra pensar do que se tratava. De fato é um tema bem importante e não consigo entender como algumas pessoas acharam fofo... parece tenso.
    Não tenho problema com os diálogos feitos através de aspas, acho que já me acostumei com isso. Pena que não tenha gostado taaaanto do livro. Acho que vou procurar assistir primeiro!

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  15. Oi, Kamilla!
    Não conhecia o livro mas que história mais interessante ele tem!! Amei muito!! Também fiquei bem feliz por saber da adaptação para o filme bem legal!!
    Beijoss

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  16. Não sabia que tinha o livro, mas eu já assisti o filme. Eu adorei a história, mas não sei se tenho vontade de ler o livro.
    Beijos!

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