21/11/2017

RESENHA: Muito Amor, Por Favor

Muito amor, por favor
Autores: Arthur Aguiar; Frederico Elboni; Ique Carvalho; Matheus Rocha
Editora: Sextante
Páginas: 240
Edição: 1
Ano: 2016
Este livro reúne textos que mostram o amor do ponto de vista de quatro jovens que escrevem sobre relacionamentos legítimos e atuais, que souberam se reinventar. Sem medo de expressar seus sentimentos, deixam para trás estereótipos já obsoletos – como o controlador machista ou o piegas choroso – e falam sobre viver a dois e sobre a natureza das relações em todos os seus aspectos. Assim, cada autor reflete sobre o amor representado por um elemento: Arthur Aguiar escreve que “O amor é água”, dizendo que ele é fluido, mas por vezes gelado; ora tempestade, ora profundo. Fred Elboni explica que “O amor é ar”, mostrando a leveza de se amar sem sofrer, da brisa que envolve os apaixonados, mas que por vezes torna-se furacão. Ique Carvalho se debruça sobre quando “O amor é fogo”, que arde, aquece a alma, mas que também pode incendiar até doer. E Matheus Rocha conta que “O amor é terra”, estável, tranquilo, mas que não escapa dos terremotos da vida, que tiram tudo do lugar para que a rotina não o extermine. Um livro apaixonante, para quem ama e para quem quer amar um dia... e sempre. 
Oi Leitores, tudo bem com vocês?

Esse é mais um dos livros que estão na minha TBR desde a Bienal do ano passado, quando pude conhecer esses três (o Arthur Aguiar não participou da sessão de autógrafos) seres de outro mundo. Confesso que soube do lançamento do livro através do Ique, um cara que admiro demais e que sigo por conta do blog The Love Code, eu já conhecia o trabalho tanto do Matheus quanto do Fred, mas minha paixão em termos de escrita era pelo Ique. Depois de ler o livro percebi o quanto demorei pra querer devorá-lo, mas devo dizer que o estilo de contos não é um dos que mais me atrai, por isso protelei por mais de ano pra fazer essa leitura, porém valeu a pena. aaa
O livro é dividido em quatro elementos: o fogo, a terra, a água e o ar, sendo que cada escritor fala sobre o amor se manifestando na forma desses elementos. 

Começando pelo Fogo, Ique fala sobre um amor ardente, uma paixão estonteante, daquelas que tiram o fôlego e te fazem sentir que o mundo vai acabar amanhã. Um amor que é capaz de machucar pelo simples fato de arder tanto que pode se tornar insuportável. Eu conheço a escrita do Ique de tempos e em nada me surpreendeu que essa foi a parte que eu mais gostei do livro, ver o amor escrito em forma de poesia, cada frase contendo a paixão com a qual só o Ique consegue me tocar, foi incrível. Através de uma escrita simples, com rimas e muita delicadeza, ele consegue conquistar o nosso coração. 
A influência das amizades e a televisão fazem você acreditar que a felicidade ou a satisfação está naquilo que você não tem, ou não fez, ou não conhece ainda. Mas na verdade, a felicidade está justamente em apreciar a beleza e a simplicidade do que temos à mão e dentro do coração.
Em seguida temos o Matheus, falando sobre o amor que é Terra. Ele fala de uma forma gostosa, um amor que dá gosto de viver, aquele amor que te traz segurança, o amor que é simples, que é bonito e fácil de entender. Aquele amor que é tranquilo e sem muitas complicações, mas que nem por isso perde a beleza de ser o que é. Eu conhecia um pouco da escrita do Matheus, mas confesso que ainda assim me surpreendi, não foi um mar de explosões como foi no capítulo anterior, mas me trouxe emoções que eu nem mesmo sabia que poderiam ser sentidas lendo um livro que fala sobre o amor em sua forma mais pura.
Sempre vi o amor de forma simples, sabe? Nunca entendi a necessidade que alguns tem de ostentar a paixão, como se o fato de poder mostrar para todo mundo que se tem alguém para chamar de amor fosse mais importante que o que acontece por trás das cortinas do casal modelo, de mãos dadas e sorrisos sempre a postos. 
E mais, ele fala sobre aquele amor que perdoa, aquele amor que não precisa ser justificado porque ele apenas existe e onde o perdão é mais importante do que qualquer orgulho que possa existir, pois ao entendermos que somos todos seres humanos e que erramos, compreendemos que o outro também tem esse direito.
É preciso se perdoar. É preciso perdoar o outro, inclusive, pelos pecados que nem ele mesmo sabia que havia cometido. É que nós, às vezes, pecamos sem perceber. São ausências, displicências, palavras e gestos que deveriam vir, acontecer, existir, mas não foram possíveis. Ou, então, perdoar por tudo aquilo que o outro acha certo, tem plena convicção, mas é uma verdadeira pisoteada em nossos calos.
Logo depois temos o amor que é Água na escrita do Arthur Aguiar. Aqui temos um amor que é fluido, que pode acontecer de uma forma simples como uma troca de olhares em um ponto de ônibus. Um amor que às vezes é tempestade, fúria, um misto de sentimentos, mas que outras tantas é calmaria, é sentimento e vai além do acaso. Eu não conhecia a escrita do Arthur, pois só conhecia a vertente como ator e músico, mas devo dizer que fiquei surpresa. Com alguns poemas que lembram muito as suas músicas e algumas crônicas com sentimento, me vi levada por um gostinho bom de amores improváveis, daquelas histórias que a gente sonha em viver.
Sempre acreditei que o amor é como a lágrima no momento em que sai dos nossos olhos. Quando ela surge e se forma, e os olhos começam a ficar cheios d'água, já não existe mais nada que possamos fazer pra evitar que caia e escorra pelo nosso rosto. Não há como controlar uma lágrima. Não é possível fazê-la voltar para trás ou parar no meio da bochecha. [...]O amor pra mim sempre foi isso. Quando ele vem, não temos muito o que fazer. Ele precisa ser vivido, sentido. Não acredito que possamos ignorar um amor quando ele surge, não dá para simplesmente virar as costas e fingir que nada aconteceu.
E, por fim, temos o amor que é Ar com o Fred. O amor que pode ser uma brisa leve e gostosa, mas que também pode ser um furacão capaz de devastar continentes inteiros. De um amor que se permite sentir, que permite que sejamos nós mesmos e que, acima de tudo, sejamos capazes de compreender que nem todos os amores foram feitos para durar uma vida inteira, alguns vieram só para nos despertar e deixar um pouco de perfume nas nossas vidas. Como sempre, a escrita do Fred não decepciona, trazendo um misto de sentimentos e lembranças, ele nos faz refletir sobre quem queremos ser nos nossos relacionamentos de uma forma que acaricia a alma.
Sou brisa e furacão, intensidade e mansidão, nada e tudo, ao mesmo tempo. Sofro com propriedade. Sorrio na eterna vontade de abraçar a todos. Sou euforia no beijo e no silênico. Para mim, saber sofrer em momentos pontuais sempre foi um dom que conservo comigo. Me sinto vivo, sensível, me deixo doer, me faço empático com os outros, mas principalmente comigo. [...]Ser sensível é viver tudo à flor da pele, é amar sem se preocupar com o amanhã. É, também, carregar muitos desafetos, muitas tristezas e alegrias únicas. Talvez esta seja a maior qualidade de ser sensível: todas as emoções são sempre únicas. Mesmo me sentindo estranho e meio bobo nas minhas decisões, quase sempre tomadas pela emoção, eu não deixaria de amar com a intensidade que amo.
Enfim, recomendo muito a leitura se vocês gostam de textos reflexivos e cheios de intensidade e sentimentos. A leitura foi extremamente fluida, exceto em alguns momentos que me peguei levemente entediada, mas foram pouquíssimos e algo que julgo extremamente comum, já que temos escritas diferentes em um mesmo livro. A diagramação ficou excelente e não perdeu em nada, é um livro para ler em uma tarde e isso fica claro assim que você o abre! Eu achei a capa com um certo exagero de informações, gosto quando as capas são um pouco mais "cleans", mas ela passa exatamente o propósito que o livro quer. No mais, foi uma combinação incrível de autores e eu não poderia imaginar nada diferente de um livro escrito por esses seres ♥ Espero que vocês gostem, quem já leu me diz aí o que achou!! Um xêro e até semana que vem!


12 comentários

  1. Oi Hemely, não sou exatamente uma fã de livros de contos e pra falar a verdade a exceção do Arthur que é ator (é ele né?! rsrs), não conheço os autores, mas achei a resenha bem legal e a divisão das histórias também. Não sei se leria o livro agora, mas é uma dica pra quem sabe futuramente me arriscar ;)

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  2. Aah, que lindo!
    Eu só conheço a escrita do Fred, e amo demais.
    Esse livro tá na minha lista infinita tem um bom tempo, acho que estava esperando um incentivo desses.
    O bom é que vou conhecer a escrita dos outros 3, principalmente a do Ique, que é super bem comentado.
    Eu gosto da capa e dos detalhes.
    Vamos ver se consigo nessa B.F.

    Beijos

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  3. Oi Hemely.
    Eu gosto de textos reflexivos e que mechem um pouco comigo.
    Porém confesso que não morro de amores por contos nem nada do tipo, normalmente são poucas as leituras que eu verdadeiramente gosto nesse sentido, por outro lado, eu adorei a ideia de usar os 4 elementos e criar um livro em cima disso, por isso, apesar de relutante, irei ler com certeza.
    bjs.

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  4. Olá! Não curto muito livros com vários contos, Não conheço nem um dos autores, Mas achei interessante eles expressarem o Amor manifestando os 4 elementos cada um do seu ponto de vista, achei muito legal , se tiver oportunidade gostaria de ler!!

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  5. Ainda não li nada dos autores, mas achei legal ter esses elementos que estão em nossa volta e combinar com o amor, o do Fogo parece que é muito bom é profundo e ardente. Os outros também parecem ser legais, parece que mexem com a gente e nos deixa pensando sobre o que leu.

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  6. Hemely!
    Gosto demais de livros de contos e se fala sobre um assunto como Amor, deve ser bom demais!
    Ler a opinião de cada escritor sobre o assunto e observar seus pontos de vista me deixou com vontade de ler.
    “ Lança o saber e não terás tristeza.” (Lao-Tsé)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  7. Não gosto de livros no estilo de contos, porque nunca acaba me prendendo ainda mais por ser um gênero que não gosto muito.
    Mas gostei dessa divisão entre os quatro elementos.

    beijos
    She is a Bookaholic

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  8. Já havia visto esse livro, mas não sabia exatamente do que se tratava. Achei interessante isso de serem divididos por elementos, cada autor ficando com um. Penso que deve ser ótimo ver o amor descrito de quatro formas diferentes, de quatro pontos de vista. Já vi alguns vídeos do Frederico Elboni e acho que o ar combina com ele, baseado na forma que ele tem de falar de relacionamento nos seus vídeos. Adorei a resenha, de repente dou uma chance um dia, adoro esses textos reflexivos.

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  9. Oiee!
    Já tinha visto esse livro mas nunca passou pela minha cabeça que era um livro de contos. Tenho sérios problemas com contos, e apesar de ter gostado da resenha, ainda não me sinto totalmente certa de que vou lê-lo algum dia. Só o tempo dirá.
    Bjs!

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  10. Achei a divisão e comparação bem interessante, conhecia o livro mas não havia parado para analisar melhor porém, terminando de ler a resenha, conclui que não é pra mim. Logo vou deixar passar a indicação...

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  11. Olá!
    Gostei do livro, uma forma incrível de fala sobre o amor. Não tinha conhecimento sobre ele, mas gostei de conhecer um pouco mais sobre ele e ver que o enrendo e muito bom.

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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