05/12/2017

RESENHA: Tartarugas Até Lá Embaixo - John Green

Tartarugas Até Lá Embaixo
Autora: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Edição: 1
Ano: 2017
Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, o autor do inesquecível “A Culpa é das Estrelas”, lança o mais pessoal de todos os seus livros: “Tartarugas Até Lá Embaixo” A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, “Tartarugas Até Lá Embaixo” tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.
Oi Apreciadores, tudo bem com vocês?

Depois de muita espera eu finalmente consegui comprar esse bebezinho!! Estava esperando ele baixar de preço, aí veio a Black Friday e é claro que eu não perdi tempo né gente! E valeu a pena cada centavinho, de verdade! 
Bom, acredito que muitos já devam saber pelo menos por alto a história desse livro, mas vou contar um pouquinho pra vocês. O livro conta a história de Aza Holmes, uma garota de 16 anos, que estuda na Escola Secundária White River, possui uma melhor amiga chamada Daisy e uma mãe que cuida dela e a ama mais que tudo. Porém, ela (con)vive com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, um pequeno monstrinho que a cada dia cresce e cresce mais e mais e faz com que ela se sinta vivendo sempre dentro da própria mente, mas sem ter controle das próprias ações. 
A questão da espiral é que, se a seguimos, ela nunca termina. Só vai se afunilando, infinitamente.
Certo dia, ela estava no refeitório com Daisy e Mychal (um amigo) e enquanto os dois discutiam sobre assuntos aleatórios, ela entrou, mais uma vez, na espiral da amiga ansiedade. Era como se ela ouvisse tudo o que se passasse à sua volta, mas fosse incapaz de opinar, de fugir dos seus pensamentos. Porém o que Daisy discutia com Mychal era acerca do noticiário, que havia divulgado uma recompensa para quem desse informações relevantes acerca do desaparecimento do pai de Davis Pickett, um menino que Aza não via há tempos, mas que fez parte de sua infância. Diante disso, elas decidem investigar o desaparecimento de Pickett para descolar a grana envolvida na investigação, o que Aza não fazia ideia, porém, era de que depois de cruzar o caminho de Davis sua vida ganharia histórias novas para contar. 
Eu queria dizer mais, só que os pensamentos, inoportunos, indesejados, não paravam de invadir minha mente. Se eu fosse autora da minha história, teria parado de pensar sobre meu microbioma. Teria dito a Daisy que a ideia dela para o projeto de Mychal era incrível e teria contado que me lembrava, sim, de Davis Pickett; que me lembrava de quando eu tinha onze anos e vivia com um vago porém constante medo de tudo. Teria contado que me lembrava daquela vez no acampamento, deitada ao lado dele no píer, as pernas pendendo da beirada, as costas coladas na madeira áspera, nós dois olhando para o céu limpo de verão. Teria contado que, mesmo na época, Davis e eu não conversávamos muito, sequer nos olhávamos muito, mas que isso não importava, porque estávamos observando juntos o mesmo céu, o que, para mim, talvez seja mais íntimo do que contato visual. Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu.
Eu terminei esse livro com a sensação de querer mais, de entender mais. É que parece que tudo o que eu leio sobre assuntos referentes à psicologia é sempre pouco, eu quero saber sempre mais e mais, mesmo que essa área esteja longe de ser a minha área de atuação hehe Primeiramente, esse livro ficou sensacional, mesmo! Eu tive um pouco de dificuldade com a escrita, já que o John divagou muuuuito durante o livro, inserindo partes filosóficas e médicas que por vezes me barraram até eu entender tudo o que ele queria dizer, mas quando cheguei em uma parte do livro não consegui parar de ler até chegar ao final. 

A diagramação do livro foi feita de forma bem simples, nada que chamasse muita atenção, contendo divisões de capítulos super coerentes e que faziam você flutuar pela história. A capa em si eu fiquei extremamente apaixonada, acredito que nada poderia ser tão perfeito e traduziria tão bem o conceito da Espiral quanto o que foi desenhado. Para quem não entendeu o título do livro, o John explica em uma parte do livro, mas ele também soltou um vídeo explicativo para quem se interessar. 
[...]Um cientista estava dando uma palestra sobre a história do nosso planeta para uma plateia enorme e explicou que a Terra foi formada há bilhões de anos, a partir de uma nuvem de poeira cósmica, e por um tempo o planeta era muito quente, mas com o tempo esfriou um pouco, permitindo a formação dos oceanos. Um organismo unicelular surgiu, e, após bilhões de anos, a vida ficou mais abundante e complexa, até que, há mais ou menos duzentos e cinquenta mil anos, os seres humanos evoluíram e começaram a usar ferramentas mais avançadas, chegando a construir naves espaciais e tudo mais.
Pois então. O cientista fez toda essa apresentação sobre a história da Terra e do surgimento da vida e, no fim, perguntou se alguém tinha alguma dúvida. Uma senhora lá no fundo levantou a mão e disse: "Isso tudo é muito bonito, senhor cientista, mas a verdade é que a Terra é uma superfície plana em cima do casco de uma tartaruga gigante.".
O cientista decidiu se divertir um pouco e respondeu: "Ora, mas se é assim, a tartaruga gigante está em cima do quê?" e a mulher disse: "Ela está em cima do casco de outra tartaruga gigante.". Então o cientista, já frustrado a essa altura, perguntou: "Ora, e essa tartaruga está em cima do quê?" e a senhora respondeu: "O senhor não está entendendo. São tartarugas até lá embaixo.".
A história em si foi muito bem construída, os personagens principais são uma graça e dignos de muitos coraçõezinhos, os personagens secundários também tem seu valor e são o que garantem que a história tenha sentido e que flua para os leitores. Foi perceptível o quanto John estudou pra escrever esse livro e isso está claro em cada linha, o que me deixou mais admirada ainda pelo trabalho dele, que falou com precisão e sensibilidade sobre o dia-a-dia de uma pessoa que tem uma doença mental e o quanto isso afeta não só a vida dessa pessoa em proporções catastróficas, como também a vida de todas as pessoas que com ela convivem.

Esse livro é um presente pra nós, para que possamos compreender coisas que vão muito além de nós mesmos, para que entendamos que aquele amigo que se afasta, que por vezes some, ou mesmo que aparenta não estar bem mesmo quando diz que "está  tudo bem", pode ter algo que vai muito além de "frescura". Doenças mentais são coisas sérias e que podem transformar a vida de quem as tem em um verdadeiro inferno e nada disso depende delas, não é como se elas acordassem e dissessem "hoje não vou ter nenhuma crise", eu espero, de coração, que tudo o que o John colocou de sentimento e de verdade nesse livro possa não só ajudar quem tem esse tipo de transtorno, mas também modificar o pensamento de quem nunca teve e que possui um amigo que tem e não sabe lidar com isso da melhor forma.

Por fim, eu senti que faltou um clímax que me fizesse ficar "MEU DEUS DO CÉU, SOCORRO", pois senti que o clímax do livro foi bem fraco, principalmente em comparação com os outros do autor. Mas confesso que talvez tenha sido melhor assim, já que o Green tem a mania de querer matar a gente de sofrimento e o alerta que esse livro traz já é sofrimento o bastante pra gente. É isso pessoal, espero de coração que muita gente ainda leia esse livro e que ele possa passar essa mensagem pelo mundo afora! Um xêro, até semana que vem!


16 comentários

  1. Ah, esse livro é um amor.
    No início eu não gostei tanto, apesar da busca ser algo necessário para o desenrolar da história, não me envolveu.
    Mas depois que vai mostrando cada vez mais como é a vida da Aza e como é conviver com o toc, aí eu amei!
    Me irritei com Daisy, mas depois a compreendi.
    E o final...
    Livro lindo, cheio de quotes maravilhosos. E a resenha está linda.

    Beijos

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  2. Já tinha lido algumas resenhas sobre o livro, eu até queria dá uma chance, porém estou algum tempo se ler um livro por inteiro, então nesse caso corro longe, já que demora um pouco o desenrolar. Parabéns pela resenha!

    sonhoseaventurasdeamor.blogspot.com.br

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  3. Eu tô doida pra ler esse livro e nossa, tá parecendo bem especial. Vi o vídeo que ele soltou falando sobre essa história e achei legal a proximidade com o autor, dele ter seus momentos que lembram um pouco da dificuldade da Aza, e fazer um livro explicando melhor uma doença assim é algo que abre nossos olhos. Doenças mentais exitem aos montes, são tantas coisas e quem cresceu acostumado a ouvir aquele parente falando "ahh é frescura, ahh é isso e aquilo" sabe como é triste a ignorância de algumas pessoas. Um livro desses seria um baita presente pra eles...
    Já achei legal que os personagens cativam fácil. Pode ter lá seus momentos de muita divagação por parte do autor, mas ele parece explicar bem o assunto e fazer a gente querer saber mais. Isso é legal, ter um personagem que nos mostra uma situação e fazer a gente querer entender melhor depois de ler.
    Se esse não for um dos melhores livros do autor vou quebrar a cara porque a expectativa tá altíssima aqui!

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  4. Oi, Hemely!
    Eu vejo muita gente elogiando esse livro do João Verde, mas eu acho que já passei dessa fase da vida, sabe? Os livros dele já não me encantam tanto.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do Natal Literário e ganhe prêmios maravilhosos

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  5. Olá, apesar de Tartarugas Até Lá Embaixo contar com padrão John Green de qualidade, percebi que o autor usou da mesma fórmula pré-concebida que se faz presente em suas outros obras, como o amigo(a) engraçado e alguma particularidade que direciona o rumo da vida do protagonista, sempre excêntrico. Mas como estou com muita saudade da escrita do autor, desconfio que vou amar o livro de todo o jeito. Beijos.

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  6. Quero muito ler este livro, primeiro pelo tema abordado na qual me interesso muito que e o TOC, já que sou estudante de psicologia, e gosto de me aprofundar sobre o tema, segundo pois e notório que o autor fez um trabalho incrível ao construí esta estória, com personagens cativantes, tantos os principais, quantos os secundários, deixando a leitura bastante agradável.

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  7. Oi Hemely.
    Quero muito ler esse livro.
    Já li alguns livros do John Green e confesso que não gostei muito. Mas, adorei a temática desse livro e quero dar mais uma chance para as obras dele e ver se eu gosto.
    É bom saber que o autor tomou bastante cuidado para construir e desenvolver seus personagens, sejam eles principais ou secundários.
    Espero ter a chance de ler esse livro em breve.
    Bjs

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  8. Preciso ler outro do livro do autor para tirar a impressão que tive em um livro que li e não gostei rs. Parece interessante o tema abordado é importante e podemos saber como é ter alguém assim como a personagem por perto, tenho um irmão com doença mental e não é nada fácil.

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  9. Ola!!
    Estou louca para ler esse livro a cada resenha que leio fico mais encantada, adoro os livros do John Green, o tema abordado é muito importante, muitos acham que TOC não é doença é frescura, Adorei a resenha e quero ler o livro assim que possível!!

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  10. Oii Hemely, tudo bem? Adorei saber que gostou do livro. John Green é um dos meus autores do coração e estou maluca para ler esse livro, porém quero ler no original e está bem caro :( Ansiedade e TOC nunca são fáceis na literatura, e como o próprio John enfrenta isso, o livro acaba ficando realmente mais filosófico, reflexivo e pessoal mesmo, e detalhes técnicos são sempre importantes. Sei que esse livro será uma facada no estômago para mim, então já vou me preparando pra essa leitura. Espero fazer isso logo.

    beijoos!!
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  11. O livro aborda um tema interessante, o TOC é uma doença que pode causar muitos transtornos no caso de muito intenso. A pessoa fica presa nos próprios atos, sem se dar conta do que está fazendo. Gosto de ler livros que abordam temas assim, pois podemos aprender bastante coisas a respeito da doença e como o personagem lida com ela, já que cada um age de um jeito diferente.

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  12. Olá Hemely! John Green é simplesmente fantástico! Adoro tudo que ele escreve e seu estilo filosófico é o que torna suas histórias originais. Nos livros ele sempre explica seus títulos inusitados, que só fazem sentido depois que lemos. Aza é extremamente meiga. Esse livro nos ajuda a compreender melhor o TOC e mais uma vez Green enfatiza o poder da amizade. Muito ansiosa para ler. Beijos

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  13. Oi, Hemely! John Green não é um autor que eu goste muito porque não curto sick-lit. Acho que é o tipo de leitura importante, transmite emoção e nos põe em alerta sobre várias coisas, além de toda a empatia que é incentivada, mas eu acho que a vibe desses livros não é muito positiva e não me deixa confortável. Mas é legal saber que ele trouxe dessa vez um tema bem atual como ansiedade, que assola muita gente, especialmente jovens, e conseguiu captar bem a essência do sofrimento que é conviver com esse tipo de transtorno psicológico.
    Beijos.

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  14. Acho interessante o fato do John Green abordar algo tão sério e que ele mesmo sofre, que é o TOC. Nunca li nenhum livro do autor, mas gostaria de conhecer suas obras!

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  15. Hemely!
    Não sabia que o John Green tinha sido diagnosticado com TOC.
    Deve ser muito complicado sentir pensamentos intrusivos constantemente 'entrarem' na nosa mente e tornarem a vida bem complicada.
    Gostei de ver que além do mistério do desaparecimento, outros temas foram aborados, como a injustiça e questões existenciais.
    Claro que quero fazer essa leitura.
    Bom domingo!
    “A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  16. Eu to querendo ler esse livro já tem um tempo! Será o segundo livro que lerei que envolve o TOC, o primeiro foi Uma História de Amor e TOC (que caso ainda não tenha lido, leia). Gosto de livros que mostram doenças deste tipo, pois conseguimos entender muito melhor as pessoas que passam por esses problemas, então creio que além de ser um livro cheio de história, também é cheio de informações valiosas.

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