11/05/2018

RESENHA: A Mulher na Janela - A. J. Finn

A Mulher Na Janela
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Edição: 1
Ano: 2018
Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.
Fui fisgada pelo livro já nas primeiras páginas...

Anna Fox era uma psicologa infantil, que após um trauma foi diagnosticada com agorafobia. Que é um transtorno adquirido gerado por um grande trauma, onde a pessoa tem medo de sair de casa, que é um lugar onde acha que está seguro. Essa fobia está fortemente ligada a depressão, ansiedade e crises de pânico.

Nossa protagonista sofreu um grande trauma, e agora segue reclusa há mais de dez meses em sua casa, vivendo a base de seus remédios controlados, conversando com seu ex-marido Ed e sua filha Olivia de vez em quando (já não moram mais com ela), bebendo seu amado vinho (mesmo sabendo que não pode misturar com os remédios) e se entretendo através de jogos de xadrez online, participando do site Àgora pra ajudar outras pessoas como a mesmo fobia e espionando o que acontece na sua vizinhança com a ajuda de sua câmera.

Tudo segue da mesma forma, nessa rotina monótona da vida da nossa protagonista... até que uma nova família se muda para o bairro. Os Russels, de três integrantes: pai, mãe e um filho adolescente. 
Certo dia após tomar muito vinho, misturá-lo com seus remédios controlados vê a Jane Russel (a mãe) ser assassinada. Ela tenta ajudar, mas será mesmo que ela viu? Será que a Jane foi realmente assassinada? Ou será que era só alucinações? Os remédios controlados por si só podem causar alucinações, misturados com álcool só tende a piorar. Ela acredita no que viu, mas ninguém mais acredita...

A Mulher na Janela me fisgou desde a primeira página, não teve uma história arrebatadora que me deixou morrendo de curiosidade, mas foi o suficiente pra não me deixar largar a obra. Pra alguns o início da obra foi mais lento, porque vamos conhecendo sobre a fobia, a rotina e até algumas lembranças do que aconteceu pra deixá-la traumatizada e nem querer sair de casa. No entanto pra mim foi bacana conhecer mais sobre a personagem, entendê-la pra daí sim começar o suspense todo.
“Bisbilhotar é como fotografar a natureza: a gente não interfere no que está vendo.”
O livro todo é narrado em primeira pessoa pela própria Anna, então todos os ocorridos que se passam é pela visão dela, deixando o leitor ávido e curioso pra saber se a verdade da cabeça da protagonista é mesmo real ou são só alucinações. A. J. Finn brincou muito comigo durante a leitura, me fazendo acreditar, duvidar e me surpreender.

A obra sem dúvidas é daquelas que te prende, te deixa cheias de dúvidas e te dando várias direções em que acreditar, mas será que são verdadeiras? Essas dúvidas permeiam o livro quase inteiro, e sinceramente é uma das coisas que mais gosto nos thrillers psicológicos. A Mulher na Janela tem algumas reviravoltas nos deixando aflitos a cada momento que se passa, a revelação final foi surpreendente, mas não foi de me deixar alucinada/chocada ou com o coração aflito - como eu esperava. O que mais me chamou a atenção, além do suspense sobre o suposto assassinato, foi o fato do autor abordar depressão e o transtorno agorafobia (que nem sabia da existência). 
“Uma doida aos olhos dos vizinhos. Uma piada aos olhos da polícia. Um caso especial aos olhos dos médicos. Um caso perdido aos olhos do terapeuta. Uma encarcerada. Longe de ser uma heroína de cinema. Longe de ser uma detetive.
Encarcerada em casa. Afastada da vida.”
Anna é uma personagem que gostei de conhecer, apesar de algumas vezes querer dá um puxão de orelha por algumas atitudes, mas ao mesmo tempo sei que tudo é resultado de um trauma forte e que quando descobri me abalou, e admito que isso mexeu comigo bem mais do que o suposto assassinato. 

Sem dúvidas é uma obra incrível, com uma narrativa fluída e instigante, com várias reviravoltas e revelações. Não foi o melhor livro do gênero pra mim, mas ainda sim foi uma leitura incrível. Super recomendo!
“– Não é paranoia se está realmente acontecendo.”


16 comentários

  1. Não vejo a hora de poder ter e ler este livro! Amo um bom suspense, ainda mais quando tem essa "brincadeira" de misturar realidade e imaginação.
    Até que ponto a doença de Anna interferiu em suas visões? Ela só não imaginou tudo isso ou alucinou??
    São muitas dúvidas e questionamentos e mesmo com a comparação com A Garota do Trem(que não curti),pretendo ler este em breve.
    Beijo

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  2. Oi, Kamilla
    Vi muito sobre esse livro mas não tenho interesse em ler. Ele me lembra um pouco A garota do Trem, mas não sei se seria a mesma coisa.
    Eu já li muitos livros com agorafobia, acho que os autores estão gostando de abordar mais sobre essa doença, o que é bem legal.
    Beijos

    http://www.suddenlythings.com/

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  3. Adoro esse gênero, é um suspense só, me deixa aflita e angustiada em saber se a personagem esta dizendo a verdade ou é fruto da imaginação, é uma dúvida cruel rs. Apesar do começo lento e o final não ser impactante, tenho muita vontade de ler, a leitura parece ser bem envolvente, para chegar ao final e saber logo o que aconteceu de verdade rs.

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  4. Oi, Kamilla.

    Acho que o que torna esse livro eletrizante, é o fato dele colocar a mentalidade da Anna em questão, trazendo questionamentos pra ela mesma.

    Aliás, para o leitor também.

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  5. Oi Kamilla,
    Adoro thrillers psicológicos, esse gênero vem ganhando cada vez mais lugar nas minhas leituras.
    Estou ansiosa para ler esse livro, pois assim que vi o lançamento já corri adicionar na lista de desejados, pois essa premissa me fisgou na hora. Esse autor escreve com maestria, fisgando o leitor de inicio ao fim. Promete ser uma leitura eletrizante e viciante, com uma trama bem construída. Não vejo a hora de que o autor brinque comigo também durante a leitura, espero ser surpreendida.
    Beijos

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  6. Oi Kamilla,
    A premissa de A mulher na janela, por mais que eu tenha achado parecida com a de A garota no trem, me apresenta elementos diferentes relacionados a vida pessoal da protagonista que dá um toque a mais nessa história. A parte psicológica do livro, que envolve uma protagonista um tanto instável (devido a bebida), faz com que a narrativa não seja totalmente confiável e essa é uma jogada que poucos autores se arriscam fazer. Já tinha ouvido falar da agorafobia, mas nunca li nenhum livro que abordasse o assunto. Se eu já estava curiosa sobre o desenrolar dessa aposta da Arqueiro, os pontos que ressaltou em sua resenha só reforçou isso.

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  7. Kamilla!
    Amo thrillers psicológicos também, são instigantes e nos colocam para pensar.
    Bom ver que o autor resgatou um pouco do suspense tenebroso dos livros dos anos 50, deve ser muito boa a leitura e a protagonista enfrentar seus traumas do passado, deixando a dúvida se é ou não real o que vê, porque é alcoolatra, deve trazer grande suspense.
    Desejo um ótimo final de semana e um feliz dia da mães abençoado!
    “Moral é o que te faz sentir bem depois de tê-lo feito, e imoral o que te faz sentir mal.” (Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MAIO – 4 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Olá, além de prender o leitor do começo ao fim para que este possa juntar todas as peças do quebra-cabeça, a obra também se destaca por abordar fobias e psicopatologias que não são muito conhecidas, o que deixa a leitura irresistível e informativa ao mesmo tempo. Beijos.

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  9. Oi, boa noite!
    Como não ficar curiosa? Cada vez que eu leio essa sinopse fico doida pra descobrir se o que acontece é mesmo real. Não conhecia essa fobia, ainda mais com esse nome; achei interessante ser tratada, ainda mais com uma personagem que mora totalmente sozinha, sem muito contato familiar.
    Legal você ter falado o que aconteceu na resenha, eu já tava tendo um treco de curiosidade kkkkkkk confesso que acho que tudo não passa de imaginação dela. Eita, será que acertei?hahaha
    Gostei bastante da resenha, beijos.

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  10. Esse livro já está na minha lista de leitura desde que foi lançado. Gosto de enredos onde a questão psicológica é fator importante. Outra coisa que acho interessante no fato do enredo ser narrado pela Anna é que nos deixa em dúvida durante toda a situação, pois a narrativa é totalmente influenciada pelo que ela vê, ou acha que vê, e pelos seus sentimentos. Quero muito ler esse livro.

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  11. Oi Kamilla.
    Quero muito ler esse livro.
    Fiquei feliz em saber que teve um bom desfecho, apesar de não ser algo muito original. Adoro thrillers psicológicos e acho que vou gostar muito dessa história.
    Ter um narrador não confiável nos faz desconfiar de tudo, deixando a trama mais interessante e sendo impossível largar o livro antes de chegar ao final.
    Beijos

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  12. An-nyong-se-ha-yo!
    A capa é muito bonitona, a história parece envolvente mas também muito familiar. Acho que já vi isso acontecendo em algum filme antigo, mas isso não descarta a minha possibilidade de ler também...
    Tenha um bom dia!!! ☺

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  13. Desde lançamento do livro estou looouca por essa leitura!
    Deve ser um suspense imenso que mexe com nosso psicológico e é o meu tipo preferido de leitura.
    A trama parece dar um ótimo filme!

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  14. Fico feliz em saber que estão abordando cada vez mais os transtornos psicológicos nos livros. Eu adorei esse suspense e olha que não sou muito fã desse gênero, mas acho que o autor realmente conseguiu prender o leitor com essa história nos deixando curiosos pra saber o que aconteceu com a Anna e se ela realmente foi testemunha de um crime ou foi apenas uma alucinação. Quero muito ler

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  15. Olá, Kamilla!
    Desde que esse livro foi lançado eu quero ele, ainda mais quando vejo um monte de pessoas falando dele.
    Amo thriller.
    Beijos

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  16. Oi, Kamilla!!
    Adoro um bom thriller psicológico e esse realmente promete ser maravilhoso!! Gosto da ideia da personagem não sair de casa e ficar bisbilhotando a vida alheia, claro movida a muito álcool e remédios controlados!! Sem dúvida uma mistura explosiva!!
    Bjoss

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