06/09/2019

RESENHA: Desconstruindo Una

Desconstruindo Una
Autora: Una
Editora: Nemo
Páginas: 208
Ano: 2016
West Yorkshire, 1977. Um assassino em série está aterrorizando o pequeno condado inglês, e a polícia encontra dificuldade em resolver o caso – mesmo tendo interrogado o assassino (sem o saber) nada menos que nove vezes. Enquanto a história se desenvolve ao seu redor, Una, então com 12 anos, vivencia uma série de atos violentos pelos quais se culpa. Por meio de um entrelace de imagem e texto, Descontruindo Una examina o significado de se crescer em meio a uma cultura na qual a violência masculina não é punida ou questionada. Com uma retrospectiva de sua vida, Una explora sua experiência e se pergunta se algo realmente mudou, desafiando a cultura que exige que as vítimas de violência paguem por ela.
Essa obra contém gatilhos!

Desconstruindo Una é uma Graphic Novel, mas é mais que isso. É uma autobiografia da Una. Ela nos apresenta sua história de dor, angústia, medo e silêncio.

Em Yorkshire de 1977 vem acontecendo vários assassinatos, um homem que mata algumas mulheres e a polícia não consegue resolver o caso, deixando várias mulheres com medo de sair de casa, esse homem veio a ser chamado de O Estripador. 

Na mesma época Una estava em plena pré-adolescência e foi quando começou a sofrer abusos de "pessoas do bem" e ninguém conseguia entender o seu silêncio. Foi a vários psicólogos, mas nenhum conseguiu fazê-la falar... ela foi se fechando em seu mundo e não tinha ninguém com quem falar. Muitos aproveitavam dessa fragilidade, dessa vulnerabilidade e até da inocência e falta de maturidade pra se aproveitar ainda mais dela.

Eu já imaginava que essa obra me deixaria desconfortável, triste e até revoltada, mas não imaginei que fosse tanto. Após finalizar a leitura fiquei com aquele peso no peito, sabe? É muito incômodo, mas é preciso falar sobre.

A obra nos apresenta como é difícil ser uma mulher dentro de  uma sociedade machista, principalmente naquela época e como isso afeta a vida na construção dessas meninas e consequentemente mulheres. Fala sobre a cultura do estupro, misoginia, abuso infantil, violência física e psicológica contra a mulher. É pesado, mas faz a gente pensar, questionar, reivindicar e querer fazer mudar essa realidade.
“Não contei a ninguém sobre o homem chamado Damian, e eles não perguntaram. Infelizmente, se você não contar... Ninguém percebe.”
Desconstruindo Una intercala o formato HQ com textos informativos, deixando o leitor ainda mais inserido e consternado com toda essa situação. As ilustrações são lindas, super poéticas e te deixa ainda mais desconfortável porque foi uma das formas que ela conseguiu expressar tudo o que passou.

A edição está linda, cheia de detalhes, com um Posfácio incrível e notas das referências da autora. No final do livro foi disponibilizado links e contatos de apoio para as vítimas de violência.

Sem dúvidas essa obra causa muita reflexão, Una foca bastante em como nós mulheres sofremos com toda essa cultura machista e misógina e como temos dificuldade de mudar essa realidade. Eu sei que é difícil falar e pra quem sofreu, até ler, porque pode ser visto como gatilho, mas é necessário. Muitas mulheres passam por isso e não se dão conta das pessoas abusivas a sua volta, várias nem sabem que foram abusadas.
“O apoio adequado após um ataque reduz o trauma e ajuda vítimas de crimes violentos a se recuperarem, então viabilizar os serviços para a mulher de forma apropriada economizaria dinheiro no fim das contas.”
Precisamos falar, reclamar, se indignar e tentar mudar isso.
A culpa NUNCA é da vítima!


15 comentários

  1. Tenho me interessado mais por esse mundo das graphic novels, mesmo porque podemos conhecer obras como esse livro.
    Gostei da trama toda, deve ser emocionante e revoltante ao mesmo tempo. Muitas mulheres sofrem de violência exatamente de quem deveria proteger ou estar ao seu lado sempre.
    Quero muito poder conhecer a história da Una.

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  2. Eu amo este tipo de enredo! Não somente que traga assuntos ainda considerados tabus, como o papel da mulher hoje em dia comparando-se ao que era no passado,mas com essa poesia, mesmo na dor.
    Já andei dando uma olhada nas ilustrações desta Graphic e realmente é um trabalho impecável, que traduz todos os conflitos e sentimentos de Una com tanta beleza, tristeza e doçura!
    Já está na listinha dos desejados e espero ter esta preciosidade em mãos o quanto antes!!!
    Beijo

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  3. Kamilla!
    Una foi muito corajosa em expor tudo que passou através de um livro e bem inteligente por se utilizar de uma HQ com desenhos e pensamentos, fica de forma mais lúdica e o entendimento fica mais fácil, pois falar sobre cultura do estupro, misoginia, abuso infantil, violência física e psicológica contra a mulher, é bem tenso e pesado. Angustia o leitor.
    Deve ser uma boa leitura.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá!
    Como diz varias vezes que não sou muito de ler a HQ, mas sempre que leio resenha de livros assim me deixa com mais vontade de ler ainda, só não encontrei um que realmente faria eu ler mesmo, mas espero muito conseguir. Ao ler a resenha, fiquei bastante curiosa e interessada por ele, e abordado um tema muito interessante e muitos não comenta ou deixa de compartilhar. As mulheres que vive na sociedade machista é complicado conseguir sair dela vivo. Eu adorei o livro e estou bem interessada e espero muito ler ele.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  5. Oiii ❤ Gostei muito da iniciativa dessa Graphic Novel, é triste saber que Una já sofreu tantos abusos, mas é necessário falar sobre o quanto uma mulher sofre numa sociedade machista como a nossa.
    Não li nenhuma HQ que tratasse de um tema tão importante e que trouxesse uma personagem como Una.
    É difícil ser mulher, na verdade, sempre foi. Machismo mata, quantos casos de feminicídio têm acontecido, quantos casos de violência física e sexual contra a mulher chega até nós, sem contar os que não são noticiados.
    Concordo, a vítima não tem culpa! É uma pena que muita gente não pense assim, que a sociedade em geral sempre encontre um modo de culpar a vítima.
    Sinto que preciso ler essa HQ, então vou adicioná-la à minha meta de leituras.
    Beijos ❤

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  6. Olá! ♡ Ainda não conhecia essa Graphic Novel, mas espero ter a oportunidade de fazer sua leitura, pois os temas que ela aborda são importantíssimos e precisam ser trabalhados, discutidos. Esse é o tipo de leitura que é difícil ser feita, que revolta, incomoda, mas que de fato é necessária.
    Vivemos em uma sociedade machista e patriarcal, onde as mulheres sempre são culpadas, ridicularizadas, subestimadas, abusadas... Precisamos lutar para mudar essa realidade!
    Beijos!

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  7. Olá, Kamilla
    O livro parece ser bem pesado, e me dá um pouco de medo de ler. Porque sei que vou ficar muito mal depois de ler. Mas é daqueles livros necessários!
    A capa em si, já passa um ar melancólico, pesado.
    Vou adicionar na minha lista, mas sei que vou passar um tempo antes de ler.

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  8. Olá! Esse é aquele tipo de leitura que incomoda, mas que é definitivamente muito necessário, pois está repleto de momentos para reflexão, fiquei interessada na história desde que vi e mesmo sabendo que provavelmente vou ficar incomodada em diversas passagens quero muito conferir.

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  9. ingriD - Figueiredo11 de setembro de 2019 20:48

    Nossa, imagino não ser fácil ler esse tipo de narrativa... Mas as vezes se torna importante, principalmente quando a sociedade torna a 'esquecer' os direitos dessas vitimas... Acho que o desenho deixa mais brando o clima pesado da escrita, talvez?

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  10. Oi Kamilla,
    Já Tinha visto a capa dessa Grafic em lojas online e até nas redes sociais, mas não fazia ideia da temática ou que se tratava de uma autobiografia. Já é difícil ler certas histórias quando estas nos apresentam cenários tão cheios de dor, agora quando as mesmas vem regada da realidade é algo muito impactante. O sofrimento de Una é algo doloroso de se acompanhar e fico pensando em quantas outras Unas existiram e existem por aí. É fato que a nossa sociedade não foi feita para nós mulheres e isso fico óbvio no dia-a-dia, até nas pequenas coisas. Mas é revoltante quando meninas tem que passar por coisas assim e aqueles que deveriam proteger e oferecer conforto se aproveitam da situação e causam mais mal. Que bom que você avisou dos gatilhos, pois eu sempre procuro por esse tipo de informação antes de realizar uma leitura, para, ao menos, ter um pouco de preparo antes do choque.
    Realmente a culpa nunca é da vítima, mas quem comete um crime nuca se vê como culpado!

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  11. Muito triste e revoltante chega até embrulhar o estomago só de imaginar o que aconteceu com a personagem, assim como acontece com muitas mulheres por aí infelizmente, sempre me pergunto até quando vamos ser vítimas desses abusos. me pergunto como alguém tem coragem de fazer essas coisas e com crianças então da até uma sensação de desespero e agonia. A leitura não é nada fácil,mas é preciso ser feita por fazer parte das nossas vidas.

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  12. Ainda não tinha visto nada sobre esse livro, mas confesso que fiquei interessada na leitura. Certamente não será fácil de ler ou de digerir, mas é um tema sobre o qual precisamos falar, seja onde for. Acredito que parte de cada um de nós ir desconstruindo essa "cultura" que se propaga há tanto tempo. Obrigada pela dica!

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  13. Chego a me sentir triste pela pequena Una, que sofre o que várias mulheres sofrem hoje em dia. É tão revoltante a sociedade machista atual, mas nem imagino a de antigamente que tenho certeza que era pior. Acho a leitura bem importante embora pareça ser um pouco pesada, creio que será marcante conhecer a Una.

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  14. Realmente parece ser uma història forte que por mais interessante que seja, eu não tenho estrutura. São fatos que nos chocam independente do local, data, mas é algo que sempre esta acontecendo. Infelizmente não pretendo ler esse livro.

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  15. Oi, Kamilla
    Ainda não li essa HQ, mas vi algumas fotos e foi incrível da maneira que a autora encontrou para contar sua história.
    Os temas abordados são difíceis que causam revolta, embrulha o estômago, mas é uma HQ que não só as mulheres devem ler como homens também. Claro precisamos falar e alertar sobre essa cultura machista que infelizmente muitas mulheres sofrem com esses abusos.
    Quero muito poder ler, beijos.

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